Curso sobre

Políticas Económicas de Desenvolvimento

tal como ministrado no
Mestrado em Desenvolvimento e Cooperação Internacional
ISEG-Instituto Superior de Economia e Gestão
Universidade Técnica de Lisboa / Portugal

Autor
António M. de Almeida Serra
(Prof. ISEG/UTL - "Económicas")

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O que é o Fundo Monetário Internacional

História e principais funções

O desencadear da Grande Depressão de 1929-33 e da II Grande Guerra Mundial trouxeram a um grande número de países um rol de sofrimentos até então nunca vistos na sua dimensão quer esta seja medida em termos humanos quer em termos geográficos.

A crise económica, em particular, tinha provocado um conjunto de medidas e de comportamentos por parte das autoridades económicas dos países na época já mais industrializados que terão contribuído para o crescente agravamento daquela crise em vez de serem remédios para ela. À cabeça deste comportamento deve-se citar o conhecido por beggar-thy-neighbor (empobrecer o vizinho). Este consistiu numa política cambial que tinha como única preocupação assegurar, na medida do possível, a continuação da exportação de parte da produção nacional como forma de amortecer a queda da conjuntura económica do país.

Aquela política assentou, pois, na necessidade de assegurar a competitividade externa da economia e traduziu-se numa prática de desvalorização agressiva --- na medida em que procurava "exportar" para outros países o desemprego (daí a expressão inglesa acima referida) --- da moeda nacional.

Esta prática ajudou, como se disse, ao aprofundamento da crise e ao aparecimento das tensões entre os países que contribuíram para o estabelecimento do clima que levou à Segunda Grande Guerra Mundial.

Não admira, pois, que do esforço feito no final desta para estabelecer o quadro geral de convivência entre os países tenha feito parte a procura do aparelho institucional que impedisse, pelo menos neste caso, a repetição da História (então) recente.

Foi neste quadro que entre 1 e 22 de Julho de 1944 --- tinha a grande invasão libertadora da Europa começado há cerca de um mês e meio --- se reuniram nos Estados Unidos, na estância de férias de Bretton Woods, no New Hampshire, os delegados de 44 países do campo aliado ou neutrais.

Nesta reunião o que estava em cima da mesa era a proposta, inspirada por Keynes --- o pai da "revolução keynesiana" iniciada com a publicação do seu livro de marca em 1936 ---, para a criação, pela primeira vez na história, de uma organização permanente de carácter supranacional que regulasse o sistema financeiro internacional.

Este, que assim passaria a ser regulado (e vigiado) permanentemente e não apenas através de conferências convocadas a espaços, deveria encorajar a irrestrita convertibilidade das moedas dos vários países e eliminar as restrições e as práticas --- como as desvalorizações competitivas de antes da Guerra --- que pusessem em causa o fluxo do comércio e do investimento internacionais (1). Este tinha sido um dos resultados daquelas desvalorizações, contribuindo para o agravar da Grande Depressão.

O resultado daquela reunião de Bretton Woods foi a criação não de uma mas sim de duas organizações supranacionais. Uma foi baptizada com o nome de Fundo Monetário Internacional e tinha por função principal a que se referiu acima. à outra, baptizada como o nome de Banco Internacional para Reconstrução e o Desenvolvimento (BIRD, mais conhecido de todos como sendo o "Banco Mundial") foi atribuída a missão fundamental de ajudar a financiar o processo de reconstrução económica dos países afectados pela Segunda Grande Guerra, principalmente os países europeus. Tinham nascido as "sisters in the Woods", na expressão feliz de um dos famosos surveys editados pelo The Economist.

Na sequência da Conferência de Bretton Woods e das regras então adoptadas para a constituição daquelas instituições internacionais, os Articles of Agreement que lhe deram vida entraram em vigor em 27 de Dezembro de 1945, quando se verificou a ratificação e consequente assinatura daqueles "Estatutos" por 29 países, correpondentes à subscrição de 80% do valor das quotas originalmente fixadas como sendo o "capital social" inicial do Fundo .

Em Março do ano seguinte (1946) foi realizada a primeira reunião do Board of Governors. Foi então fixada a cidade de Washington como sede para a nova instituição.

Em 1 de Março de 1947 o Fundo, que hoje conta com 182 países membros, começou as suas operações, tendo o primeiro empréstimo sido concedido à França.

Este facto permite recordar que na época a grande maioria dos países que hoje o constituem era ainda colónia de uma potência europeia. Assim, o Fundo nasceu principalmente por acordo entre os países europeus e da América, na sua maioria os mais industrializados de então.

Este "pecado original" condicionou o tipo de operações a que o Fundo se dedicava e, mais importante, o principal objectivo operacional que ele prosseguia: exercer vigilância sobre o sistema financeiro internacional a fim de, graças ao sistema de taxas de câmbio fixas, garantir a estabilidade deste --- bem como dos fluxos de comércio e de investimentos internacionais. Como contrapartida e condição desta função estabilizadora, previu-se a concessão de apoio financeiro, principalmente em divisas fortes, aos países que, apesar dos seus esforços, se vissem numa situação de desequilíbrio das contas externas que pusesse em risco a taxa de câmbio da sua moeda nacional.

O método de fixação desta foi definido no acordo e era comum a todos os membros: cada unidade de moeda nacional correspondia a um determinado peso em ouro.

Por sua vez, os Estados Unidos garantiram que trocariam qualquer quantidade de dólares pelo seu equivalente em ouro à taxa de câmbio (fixa) de USD 35,00 por onça troy.

Daqui resultava que ao fixarem um determinado valor em ouro para a sua moeda, os países estavam simultaneamente a fixar uma determinada taxa de câmbio em relação ao dólar americano. Como "duas quantidades iguais a uma terceira são iguais entre si", estava encontrado um sistema de fixação das taxas de câmbio das moedas moedas nacionais em relação às outras. Era nisto que consistia o regime de taxas de câmbio fixas.

Esta designação parece ainda mais apropriada se nos lembrarmos que a adesão a este sistema implicava que os países, para além de terem as reservas em ouro e divisas necessárias para assegurar a livre convertibilidade externa da moeda --- o Banco Central obrigava-se a comprar ou vender qualquer quantidade de moeda que os agentes económicos desejassem/necessitassem ---, se obrigavam a assegurar que aquela taxa não oscilaria para além de 1% em relação ao seu valor em ouro (e por isso em USD) comunicado ao Fundo. Qualquer alteração para além desta margem estava dependente da anuência da instituição.

Esta regra permitiu que, apesar da "rigidez" do sistema, as taxas de câmbio de vários países tivessem sido alteradas ao longo da sua vigência, i.e., até 1971, quando os Estados Unidos, face ao enorme volume de dólares americanos circulando fora do país e ao nível das suas reservas, decidiu declarar o fim da livre convertibilidade entre a sua moeda e o ouro à taxa (ainda então fixa) de USD $35,00/onça (1 onça troy = 31,103 gramas).

Note-se que este sistema funcionou relativamente bem enquanto o grosso das operações internacionais dos países estavam as associadas aos movimentos de mercadorias e ao investimento directo estrangeiro. Só quando os fluxos relacionados com a balança de capitais começaram a ganhar um volume muito significativo é que ele soçobrou --- em boa parte porque inadequado a este tipo de fluxos (grande volume e relativa instabilidade).

Dadas as regras estabelecidas e sintetizadas acima, pode-se dizer que um outro objectivo do sistema era o de "obrigar" a que a gestão macro-económica dos países membros fosse correcta --- entenda-se "fosse no sentido de evitar excessivos desequilíbrios internos (desemprego, inflação) e externos (défices mas também superavites)". De facto, se ela não se verificasse, isso reflectir-se-ía imediatamente no volume de reservas externas e, por isso, na solidez da moeda nacional. Ora, tudo estava estabelecido no sentido de assegurar que os países com desequilíbrios que pusessem em causa a taxa de câmbio fixada fossem penalizados com perda de reservas.

Terminado o regime de taxas de câmbio fixas, o FMI concordou em estabelecer um regime em que cada país membro define o valor da sua moeda em relação às demais segundo um de vários métodos possíveis: peg (indexação) em relação a uma outra moeda --- por exemplo o USD ou o Franco francês (caso dos países africanos que utilizam o Franco CFA) ---, flutuação livre (free float), flutuação administrada (managed ou dirty float) ou movimento intimamente relacionado com o de outra moeda. Hoje em dia a maioria de países (pouco mais de 50) utiliza o regime de taxa de câmbio flexível, seguindo-se em ordem de importância o regime de taxas administradas (cerca de 45). Cerca de 40 países têm a sua moeda pegged a outra, seja o USD (uma vintena), o FF (cerca de uma dúzia) ou outra.

Principais funções

As principais funções que estão cometidas ao FMI pelos seus Estatutos e pelas orientações do seu Conselho de Governadores resultam do objectivo fundamental para que ele foi criado no final da II Grande Guerra: a supervisão do sistema financeiro internacional de modo a evitar crises graves da economia internacional, em geral, e nas economias dos seus países membros, em particular.

Para o conseguir o Fundo desempenha essencialmente funções de supervisão e acompanhamento das economias nacionais e internacional e de empréstimo de recursos financeiros aos países que necessitem de reequilibrar as suas economias, nomeadamente as suas contas com o exterior.

A supervisão das economias nacionais faz-se principalmente através da recolha sistemática de informações sobre essas economias e de visitas de técnicos aos países membros ao abrigo de disposições constantes do Artigo 4 dos Estatutos do Fundo. Estas visitas efectuam-se geralmente de dois em dois anos. No caso de países que recebem apoio financeiro do Fundo, elas são mais frequentes a fim de se acompanhar a execução dos programas económicos que acompanham tais empréstimos.

Aspectos organizativos

O essencial da actual estrutura organizativa do FMI vem do tempo da constituição deste, em 1945, e inclui o Conselho de Governadores, o Conselho Provisório, o Comité para o Desenvolvimento, o Directório Executivo, o Director-Gerente e o corpo de funcionários.

O Conselho de Governadores, o órgão máximo do Fundo, é constituído pelo conjunto dos representantes de cada país membro (normalmente dois por país, sendo a maioria Ministros das Finanças ou Governadores dos Bancos Centrais nacionais). Reúne-se, em regra, uma vez por ano (em Setembro ou Outubro).

O Conselho Provisório é constituído por 24 Governadores e reúne-se duas vezes por ano. é, no essencial, um órgão que representa o Conselho de Governadores no acompanhamento da actividade corrente do Fundo.

O Comité para o Desenvolvimento é igualmente constituído por 24 Governadores do Fundo ou do Banco Mundial --- enquanto que o Conselho Provisório integra apenas elementos do Conselho de Governadores do Fundo --- e acompanha os trabalhos do FMI que mais se relacionam com os países em desenvolvimento.

O Directório Executivo, que reúne normalmente três vezes por semana na sede, em Washington, é o órgão colectivo de acompanhamento da actividade do dia-a-dia do Fundo. é composto por 24 directores executivos nomeados pelos países com maior quota na instituição (nove) ou eleito por grupos de países associados por proximidade geográfica ou linguística (quinze directores). São funções fundamentais deste Directório, entre outras relativas à vida interna do Fundo, as relacionadas com a supervisão da política cambial dos países membros, a prestação de assistência financeira (incluindo a aprovação dos acordos de financiamento aos países) e a análise da evolução da economia internacional.

O Director-Gerente, nomeado pelo Directório Executivo, é o responsável hierárquico máximo da instituição. Havendo uma regra não escrita de que deve ser um europeu --- ao invés do Banco Mundial, em que a mesma regra determina que seja um norte-americano --, estas funções foram desempenhadas desde 1987 por Michel Camdessus, da França. Em Março/2000 foi eleito para essas funções o alemão Horst Köhler, até então Presidente do Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento (BERD).

O corpo de funcionários do FMI inclui cerca de 2200 pessoas, oriundas da maior parte dos países membros.

Aspectos financeiros

Recursos

Embora autorizado a contrair empréstimos se isso se mostrar essencial para assegurar o bem desempenho das suas funções --- em que se destaca o empréstimo de "moedas fortes" aos países com dificuldades em assegurar os seus pagamentos externos por falta de divisas apropriadas ---, os principais recursos financeiros do FMI são as quotas pagas pelos seus membros. Estas são determinadas através de uma fórmula em que os principais componentes são o PIB nacional e sua importância relativa no PIB mundial, as reservas oficiais em ouro e divisas e os rendimentos e pagamentos correntes internacionais do país.

A importância da determinação da quota de cada país deriva de dois aspectos fundamentais: primeiro, o de que, contrariamente ao que sucede com a esmagadora maioria das organizações especializadas do sistema das Nações Unidas --- de que o Fundo faz parte --, o princípio adoptado nas votações não é o de "um país, um voto" mas sim o de "um dólar, um voto". Daqui resulta que os países que têm maiores quotas são os que têm maior poder de influenciar as resoluções da instituição: o conjunto formado pelos Estados Unidos, a Alemanha, o Japão, a França e o Reino Unido detêm 38,8% dos votos (e das quotas).

O segundo facto que torna as quotas um elemento essencial é o de que elas determinam o montante de recursos financeiros do Fundo a que um país membro tem acesso. Isto deriva do facto de todas as "linhas de crédito" serem determinadas em percentagem das quotas.

A soma das quotas dos países membros é hoje de cerca de 145 biliões de Direitos de Saque Especiais (DSE), uma moeda escritural só utilizada nas operações entre Bancos Centrais ou entre estes e o Fundo. Este montante equivale a cerca de 210 biliões de USD.

Aplicações

Em obediência aos seus Articles of Agreement, os recursos financeiros do Fundo são utilizados principalmente para apoiar os seus membros que experimentem dificuldades com os pagamentos externos.

Os empréstimos concedidos são-no usualmente ao abrigo de uma das várias "linhas de crédito" criadas e cujas características principais são apresentadas abaixo.

 

Tranche de reservas

Face a dificuldades de pagamentos externos, um país pode requerer ao FMI a utilização de uma verba equivalente a 25% da sua quota realizada em ouro e divisas. Esta tranche de reservas pode ser utilizada sem que o Fundo imponha quaisquer condições para a disponibilizar.

Tranche de crédito

No caso de o país necessitar de um volume de divisas superior à sua tranche de reservas, poderá recorrer a outras tranches de crédito. Desta vez, porém, o Fundo exigirá que o país adopte medidas de política económica que lhe permitam gerar excedentes de divisas nas suas relações externas que sejam suficientes para pagar os empréstimos contraídos --- ou, melhor, recomprar a moeda nacional que tinha sido entregue para substituir as divisas utilizadas para subscrever a quota do país e que haviam sido levantadas para assegurar os pagamentos externos.

é a esta prática de imposição de condições para a concessão de crédito que se chama usualmente condicionalidade. Note-se que esta não está estabelecida explicitamente nos Estatutos do Fundo. Ela é estabelecida ao abrigo da norma que exige da administração do FMI um comportamento que assegure que os recursos deste são acautelados de modo a assegurar que os países membros, caso necessitem de apoio financeiro, tenham recursos disponíveis para tomarem de empréstimo ao Fundo.

Acordo de direito de giro

Estes acordos permitem aos países o acesso a recursos distribuídos trimestralmente mas que são libertados apenas à medida que, através do controlo de certos "critérios de execução", se confirma o cumprimento de algumas condições de gestão macroeconómica. Os empréstimos assim obtidos têm normalmente uma duração de 12-18 meses, tendo sido durante muitos anos o instrumento privilegiado de financiamento pelo Fundo. As recompras pelos países têm de ser feitas num prazo de 3-5 anos.

Serviço ampliado do Fundo (SAF)

Dadas as limitações temporais dos créditos concedidos no âmbito dos acordos anteriores --- normalmente de 12-18 meses --- e tendo em consideração que um tal prazo se mostrou irrealista no caso dos empréstimos aos países em desenvolvimento --- cujas economias sofriam principalmente de problemas estruturais ou, pelo menos, de médio-longo prazo --, o Fundo criou uma "linha de crédito" que permite o acesso a recursos mais importantes e com prazo mais lato. é o "Serviço ampliado do Fundo".

Estes empréstimos são concedidos por períodos de três anos prorrogáveis por mais um e têm por objectivo fazer face a dificuldades de balança de pagamentos atribuíveis, em larga medida, a problemas de carácter estrutural das economias e que por isso mesmo necessitam de um período mais largo para serem ultrapassados. As verbas utilizadas devem ser devolvidas num prazo de 4 a 10 anos contados a partir do momento do empréstimo

Serviço de financiamento compensatório e para contingências

Trata-se de uma linha de crédito destinada a fazer face a quebras inesperadas e temporárias das receitas das exportações devido principalmente a acontecimentos fortuitos e fora da capacidade e possibilidade de controlo dos próprios países (p.ex., uma seca, cheias, quebras inesperadas das cotações internacionais de certos produtos, etc.)

Também é utilizado para financiar aumentos inesperados dos custos com a importação de cereais essenciais à manutenção do estado alimentar da população.

Serviço de financiamento de stocks reguladores

Destina-se a ajudar os países a financiar as contribuições dos países membros em organizações internacionais que asseguram stocks reguladores de existências de produtos (p.ex., o café). Não se efectuam empréstimos ao abrigo desta facilidade de crédito desde 1984.

Facilidade para a Redução da Pobreza e o Crescimento

Criada em 1999, sucedeu à Facilidade Reforçada para o Ajustamento Estrutural que tinha sido criada em 1987. Este programa de financiamento foi prolongado e ampliado em 1994, ocasião em que se deixou de conceder apoio no âmbito da até então co-existente Facilidade de Ajustamento Estrutural (FAE). A FRAE ("ESAF" na sua sigla inglesa de Enhanced Structural Adjustment Facility) é hoje o principal mecanismo do Fundo para dar apoio financeiro em condições muito favoráveis aos países membros de baixo rendimento per capita com problemas graves e permanentes de défice da balança de pagamentos.

Para se candidatar a este tipo de empréstimo, o país candidato tem de elaborar uma "carta de intenções" de que consta uma proposta de política económica de curto-médio prazo que se propõe levar a cabo durante o período do empréstimo. Esta carta é negociada previamente com técnicos do Fundo de modo a assegurar que o programa proposto seja aprovado e o empréstimo concedido.

Ao longo do período deste empréstimo o país terá de ir apresentando documentos anuais de enquadramento da sua política económica (os Policy Framework Papers) e em que se definem os objectivos a prosseguir, a política macroeconómica a implementar para os realizar (nomeadamente a programação temporal de algumas variáveis macroeconómicas mais importantes como são, por exemplo, a oferta de moeda e o montante do crédito à economia).

A taxa de juro praticada nestes empréstimos é de 0,5% e o seu reembolso é feito em dez pagamentos semestrais. Sendo o "período de graça" de cinco anos, estes empréstimos têm uma vida de dez anos após o momento da utilização dos primeiros recursos.

Limites de acesso ao crédito do FMI
(em % da quota do país membro)
- Acordos de direito de giro e de serviço ampliado
anual 100
acumulado 300
Serviços financeiros especiais
-Financiamento compensatório e
para contingências
Défice de receitas de exportação 30
Excesso de custo das importações de cereais 15
Financiamento para contingências 30
Tranche optativa 20
Valor combinado 95
Financiamento de stocks reguladores 35
- Acordos de ajustamento estrutural
(total do acesso trienal)
190

A situação económica durante a Grande Depressão (1929-33)
Traduzida por taxas negativas de crescimento (-10%/ano entre 1929 e 1932) e elevadíssimas taxas de desemprego (15-25% na maior parte dos países industrializados da época, com 25% nos EUA), falência de bancos (cerca de 11 mil bancos americanos no período 1929-32), queda sistemática dos preços (-53% na agricultura) na (vã) tentativa de assegurar o escoamento dos produtos, queda dos níveis de confiança no funcionamento do sistema económico e financeiro ("voaram" cerca de US$ 2 biliões em depósitos bancários e as cotações da Bolsa baixaram o seu valor em cerca de 80%). Uma das consequências desta foi a "fuga" à detenção de papel-moeda com consequente corrida ao ouro. Daqui adveio a incapacidade das autoridades monetárias nacionais continuarem a manter o padrão-ouro em vigor até então. Todas estas alterações levaram a que fosse cada vez mais difícil aos vários países estabelecerem a proporção correcta entre as suas moedas pelo que muitos procuraram limitar as trocas internacionais, nomeadamente como forma de protegerem os seus próprios haveres em ouro

(1) Vd DRISCOLL, David What is the International Monetary Fund, IMF, Washington-DC, 1997

Os "pais fundadores" do FMI
A lista de países representados em Bretton Woods incluía: áfrica do Sul, Austrália, Bélgica, Bolívia, Brasil, Canadá, Chile, China, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Checoslováquia, Dinamarca, Equador, El Salvador, Egipto, Estados Unidos, Etiópia, Filipinas, França, Grécia, Guatemala, Haiti, Holanda, Honduras, índia, Irão, Iraque, Jugoslávia, Libéria, Luxemburgo, México, Nicarágua, Nova Zelândia, Noruega, Panamá, Paraguai, Perú, Polónia, Reino Unido, República Dominicana, União Soviética, Uruguai e Venezuela.
Como se pode verificar há uma maioria (quase 30 em 44) de países que hoje em dia se designariam por "em desenvolvimento". Os actuais membros (182) também são, na sua maioria, deste tipo --- e, no entanto, o desenvolvimento não é a preocupação fundamental do Fundo, sendo-o mais do Banco Mundial.

Importância da vertente monetário-financeira

Dada a natureza eminentemente monetário-financeira da actividade do Fundo, é natural que a qualidade da política económica fosse vista fundamentalmente do lado da política monetária. Assim, "por exemplo, se o Banco Central (ex., do Brasil) decidisse expandir desnecessariamente a oferta monetária, começaria a perder as suas reservas, tornando-se incapaz de manter a taxa de câmbio fixa ao par estabelecido". Numa economia aberta, o mecanismo subjacente a este efeito era o seguinte: o aumento da oferta de moeda conduziria ao aumento dos preços e/ou à descida da taxa de juro. Isto implicava, existindo liberdade de circulação de capitais, que tenderia a haver fuga destes para o exterior, reduzindo por sua vez a oferta de moeda. Por outro lado, a procura de moeda estrangeira para aplicações no exterior implicava a subida da taxa de câmbio da(s) moeda(s) externa(s), o que equivaleria a pressões no sentido da desvalorização da moeda nacional e/ou a uma rápida diminuição das reservas em ouro ou divisas

A composição do Directório Executivo do FMI

O Directório Executivo do Fundo é constituído por 24 membros. Oito representam países e os restantes dezasseis representam grupos de países.

Os países que pela dimensão da sua quota têm direito a nomear um representante são os seguintes: Estados Unidos (17,8% da quota e dos votos; é o país com maior quota individual), Alemanha (5,54%), Japão (5,54%), França (4,98%), Reino Unido (4,98%), Arábia Saudita (3,45%), Rússia (2,9%) e China (2,28%).

Todos os restantes países são representados através de um Director eleito por grupos de países. Embora o principal critério de agregação seja a proximidade geográfica, há muitas excepções à regra ditadas, principalmente, por razões de proximidade linguística ou histórica.

Portugal integra um grupo de países da Europa do Sul conjuntamente com a Itália, a Grécia, a Albânia, Malta e São Marino. Este grupo detêm 4,02% dos votos. O Director eleito por este grupo é tradicionalmente italiano.

O Brasil integra um grupo de países latino-americanos em que os de maior dimensão são a Colômbia e o Equador. O Director é brasileiro.

Os países africanos de língua oficial portuguesa (PALOP) integram grupos de países africanos. Cabo Verde, a Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe estão agrupados com países que são, na sua maioria, da áfrica Ocidental (1,34% dos votos). Angola e Moçambique integram um vasto grupo de países da áfrica Oriental e Austral (3,43%).

Fontes

BLANCO, Sandra "The functions of the IMF and the World Bank" in CARRASCO, Enrique Global money, the good life and you: understanding the local impact of international financial institutions. An electronic handbook on international finance and development, 1998
(http://www.uiowa.edu/~erclog/webdex/Part%20one/One-III.html ; 26.Mai.98)

DRISCOLL, David The IMF and the World Bank: how do they differ?, IMF, Washington-DC
( http://www.imf.org/external/pubs/ft/exrp/differ/differ.htm ; 27.Ago.98)

DRISCOLL, David What is the International Monetary Fund, Washington-DC, 1997
(http://www.imf.org/external/pubs/ft/exrp/what.htm ; 4.Ago.98)

IMF Articles of agreement of the International Monetary Fund, Washington-DC
(http://www.imf.org/external/pubs/ft/aa/aa04.htm ; 4.Ago.98)

IMF IMF concessional financing through ESAF, Washington-DC, March 1998
(http://www.imf.org/externl/np/exr/facts/esaf.htm ; 17.Mar.98)

IMF IMF quotas and quota review, 1997
( http://www.imf.org/external/np/exr/facts/quota.htm ; 27.Ago.98)

IMF Special Drawing Rights: allocation and equity
( http://www.imf.org/external/np/exr/facts/sdr.htm ; 27.Ago.97)

IMF IMF Bulletin -- Supplement on the Fund, September 1997, Washington, 1997

LANDELL-MILLS, Joslin Helping the poor: the IMF's new facilities for structural adjustment, External Relations Department, IMF, Washington-DC, 1988

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Última versão: 18 de Janeiro de 1999